7 de março de 2026 - 4:10

Cientistas israelenses tentam salvar experimentos após míssil iraniano atingir laboratórios

Pesquisadores do Instituto Weizmann de Ciência em Israel vêm tentando salvar seus experimentos depois que um míssil iraniano destruiu um prédio com dezenas de laboratórios.

O míssil atingiu o campus do instituto em Rehovot, na periferia sul de Tel Aviv, nas primeiras horas do último domingo (15), danificando vários edifícios e levando pesquisadores a se arriscarem para salvar amostras enquanto o fogo se alastrava.

Ninguém ficou ferido, já que o campus estava vazio durante a noite. Mas uma parte de um edifício desabou completamente, enquanto na parte restante as paredes foram explodidas, expondo um emaranhado de metal retorcido e destroços.

“Fizemos o nosso melhor para salvar o máximo possível das amostras dos laboratórios, dos edifícios, enquanto combatíamos o incêndio”, disse à Reuters o físico Roee Ozeri, vice-presidente de desenvolvimento e comunicações de Weizmann.

Israel começou a atacar o Irã na semana passada, afirmando que seu antigo inimigo estava prestes a desenvolver armas nucleares. O Irã, que diz que seu programa nuclear é apenas para fins pacíficos, retaliou com ataques de mísseis e drones.

Os ataques israelenses mataram vários cientistas nucleares iranianos proeminentes, eliminaram o alto escalão do comando militar do Irã, danificaram capacidades nucleares e mataram centenas de civis.

Os ataques iranianos causaram a morte de 24 civis em Israel e danificaram centenas de estruturas, incluindo um hospital na cidade sulista de Beersheba.

O Irã não disse se ou por que atacou o Instituto Weizmann.

Embora a maior parte das pesquisas do instituto esteja em áreas com potenciais benefícios para a medicina e o conhecimento científico, ele também tem conexões com a área de defesa. Em outubro de 2024, anunciou uma colaboração com a maior empresa de defesa de Israel, Elbit, sobre “materiais bioinspirados para aplicações de defesa”.

Instituição multidisciplinar que realiza pesquisas em áreas como genética, imunologia e astrofísica, o Weizmann foi fundado em 1934 e é respeitado dentro da comunidade científica internacional.

É o instituto científico mais importante de Israel, com 286 grupos de pesquisa, 191 cientistas efetivos e centenas de estudantes de doutorado, mestrado e pesquisadores de pós-doutorado.

‘Tudo está perdido’

O míssil iraniano atingiu o trabalho de pesquisadores como Eldad Tzahor, que se concentra em medicina regenerativa para doenças cardíacas em adultos. Ele disse que muitas amostras e tecidos que faziam parte de experimentos de longa duração foram destruídos.

“Tudo está perdido”, ele disse à Reuters TV. “Estimo que levará cerca de um ano para voltarmos a um ano completo de pesquisa e com tudo funcionando novamente.”

Em termos financeiros, os danos são estimados entre US$ 300 milhões (R$ 1,6 bilhão) e US$ 500 milhões (R$ 2,7 bilhões), de acordo com o instituto, que opera máquinas caras e complexas, frequentemente compartilhadas entre vários laboratórios ou grupos de pesquisa.

Jacob Hanna, que dirige uma equipe de genética molecular voltada à biologia de células-tronco embrionárias, disse à revista científica Nature que o teto de seu laboratório havia desabado e a escada havia se soltado.

Seus alunos conseguiram salvar centenas de linhagens de células congeladas de camundongos e humanos, transferindo-as para tanques reserva de nitrogênio líquido que Hanna havia armazenado no porão, segundo a Nature.

“Eu sempre me preocupei que, se uma guerra realmente acontecesse, eu não queria perder isso”, disse ele.

noticia por : UOL

7 de março de 2026 - 4:10

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